Entrevista: Ingrid Berger [Produtora de Backstage]

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Posted on June 6, 2019

Ingrid Berger é produtora executiva de grandes festivais há mais de 20 anos. Mas ela gosta mesmo de ser reconhecida como produtora de backstage. Foi ela quem cunhou esse nome no Brasil, há cerca de 10 anos, quando notou que o setor de backstage precisava ter uma atenção melhor por parte dos idealizadores. Fez seu nome na produção de festivais como Rock In Rio (onde trabalha desde bem-sucedida edição de 1991 e tem total confiança de seu idealizador, Roberto Medina), além do Free Jazz e do Hollywood Rock, festival que trouxe para o Brasil grandes nomes como o Nirvana e o Aerosmith.

Hoje ela compartilha sua expertise na área com outros profissionais do ramo, através de aulas e palestras sobre produção de festivais, além de continuar comandando o backstage do maior festival de música do mundo e de grandes turnês internacionais no Brasil, de Paul McCartney a Justin Bieber. Em um bate-papo com a InEvent, Ingrid contou um pouco mais sobre sua experiência e o que pensa sobre as inovações tecnológicas que tomaram conta do setor de eventos.

Como é fazer a produção de um dos maiores festivais de música do mundo? O que você fazia no Rock In Rio?

Então, antigamente era diferente. Não tinha produtores setorizados, mas produção geral. Não tinha essa coisa de backstage. Era sofá, cadeira, uma arara, espelho e passe bem. E sempre achei que os bastidores mereciam uma atenção especial, deveria ser mais legal. E nunca foi, sempre foi o lugar lá atrás, que ninguém olhava. No Free Jazz (tradicional evento do estilo que acontece no RJ) a gente tinha uma estrutura camarins muito legal, por exemplo. Então, eu me propus a ser produtora de backstage no Rock In Rio, pra trazer coisas diferenciadas para detrás do palco mesmo. Antes, isso nem existia. E o backstage é muito complexo, envolve escritório de produção camarins, a imprensa, a limpeza mobiliário, segurança, conexão com a internet…tudo que envolve a parte de trás do palco – aquilo que o público não vê – é o backstage.

E foi a partir da recorrência dos festivais que fomos amadurecendo essa produção específica de backstage. Em 2001 foi grandioso, tinham 500 pessoas só no backstage, fizemos um camarim gigantesco, completo. Já quando fomos para Portugal (Rock In Rio in Lisboa) montamos uma estrutura, um projeto de backstage, que funciona em todo o lugar do mundo. E temos uma equipe fixa, também. Pra onde quer que a gente vá, o escopo do festival tá montado.

Em todos esses anos de Rock In Rio, qual foi seu momento mais marcante como produtora?

Vou começar com o mais fácil: conhecer alguns artistas que pensei serem realmente inatingíveis e, no final, eles são muito legais, como o Jack Johnson, o Santana, Sting, James Taylor

E o mais difícil são esses artistas muito grandiosos. O artista em si não é difícil, o problema é a entourage de várias pessoas, seguranças… Ninguém pode chegar perto, as equipes tratam essas pessoas como seres extraterrenos. E, claro, lidar com as saia-justas, os imprevistos da produção, tipo o artista não querer entrar no palco na hora, ou entrar no palco com uma garrafa de bebida que não é a mesma do patrocinador… essas coisas, que precisamos resolver. Cada dia é um dia. Tem de resolver na hora em que o problema aparece.

E você já tem um conhecimento grande na área, uma experiência…

Quando fomos pra Las Vegas, foi surreal. Se aqui a gente trabalhava com 50 carregadores, lá a gente precisava só de 5. Isso porque as pessoas eram muito profissionais. Acho que o que falta no Brasil é a pessoa se capacitar. Não adianta uma pessoa produzir um evento grande e já se autointitular produtora de eventos. E não tem a humildade de perguntar, de querer aprender. E não é assim, é preciso estudar, buscar se especializar. Quer ser produtor? Aprenda a ser produtor primeiro. No nosso meio é muito importante. Imagina, há 20 anos não tinha ninguém que falava inglês nesses festivais. Como lidar com a equipe de um artista internacional se o operador de vídeo não fala inglês, se o carregador não fala inglês, se o operador de som não fala inglês? Tinha edições que eu precisava ficar de tradutora da equipe. Enfim, o profissional tem de se capacitar.

E o que você acha que mais mudou no setor nos últimos 20 anos, que mais impactou no seu trabalho?

Olha, no passado a gente tinha menos pessoas trabalhando e fazia o mesmo evento. Hoje em dia parece que o trabalho está mais segmentado, antes um show do Paul McCartney que precisava de 20 pessoas pra fazer, hoje precisa de 100. É uma pessoa pra fazer planilha, outro é produtor de som… é surreal como o mesmo trabalho demanda mais pessoas, e não deveria ser assim. E nessa época, no Brasil, a gente não tinha nada, e hoje somos um dos países mais profissionais nesse ramo.

A tecnologia torna tudo mais ágil, ajuda muito, mas é preciso aprender a lidar com ela. De novo é aquela história, sem capacitação suficiente, não adianta.

E como é o processo de acesso ao Rock In Rio? É tudo informatizado?

Isso, fomos acompanhando o movimento. Hoje temos máquinas que leem QR Code, é tudo informatizado. Inclusive, em uma mesma credencial você tem acesso aos setores do evento e também pode registrar o que for pedir pra comer e beber, é tudo integrado. Até poucos anos atrás, a gente passava madrugada adentro contando os ingressos na mão pra fechar o fluxo de caixa, um por um. E a ficha de consumo a gente também fazia, uma por uma. Credencial era a mesma coisa, tudo na mão… temos credencial de acesso para quem trabalha no evento, pra equipe do músico, várias segmentações diferentes de acesso, e hoje é tudo eletrônico. Antigamente eu ficava usando símbolos para diferenciar cada credencial. Estrelinha, bolinha… (risos)

Atualmente há uma grande tendência no setor de eventos corporativos, a festivalização.Isso é, basicamente, entregar uma experiência única para o participante no evento, com a ajuda de recursos tecnológicos, ajudando no reforço de marca. Como você, que atua em festivais há tantos anos, vê que as empresas podem utilizar de recursos dos festivais para gerar valor ao seu evento?

Acho que promover essas experiências é importante pra fidelizar a marca, é importante entregar o que o público quer. Hoje, quem vai pro Rock In Rio consegue ter várias experiências diferentes. Quem é mais nerd, pode ficar só na área de jogos, por exemplo, às vezes nem vai ver o show. O Rock In Rio é um case clássico, de entregar várias experiências pra um público diversificado, que culmina no show. Antigamente, o Rock In Rio era só os shows, hoje tem muito mais atrações.

Mas eu, pessoalmente, sou muito mais uma experiência mais lúdica, sensorial, da música, do cheiro, do visual… acho que estratégias que nos façam conectar mais com as outras pessoas, com a natureza, é um grande diferencial. Hoje a gente não sai da tela do celular, esquece que tem lua, por do sol… acho que é isso que vamos precisar proporcionar pras pessoas no futuro. *

Visite o site da Ingrid Berger e conheça um pouco mais do seu trabalho.

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