Caio Scheidegger

[Entrevista] Caio Scheidegger, gerente de inovação do Porto Digital

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Posted on April 2, 2020

Inovação em tempos de crise

Inovação é um dos assuntos mais populares da atualidade e diversas empresas têm buscado soluções para inovar e oferecer ao mercado produtos e serviços diferenciados e com forte apelo aos usuários.

Conversamos com Caio Scheidegger, advogado e Gerente de Inovação do Porto Digital, um dos principais parques tecnológicos de inovação do Brasil, para entender, como em um momento crítico de distanciamento social, os times de inovação podem continuar trabalhando em soluções disruptivas e efetivas. Confira!

1. Crise também é sinônimo de oportunidade. Como inovar em tempos de crise?

Eu acredito que a humanidade nunca avançou se não por crises imensas. É um dos sinais de mudanças de modelo de sociedade.

Todos os direitos humanos, sejam eles trabalhistas, ambientais, ou mesmo garantias em relação à propriedade e liberdades individuais, foram conquistados após crises gravíssimas.

A gente tem uma oportunidade agora também de avaliar o rumo que estávamos imersos enquanto sociedade e sair desta crise com soluções sistêmicas que ajudem a gente a pensar num modelo de inovação, que melhore a vida das pessoas de fato.

Um dos aprendizados do coronavírus, é que nós também impactamos muito.

Logo nas primeiras semanas foi percebido uma recuperação imensa e impensável dos impactos na camada de ozônio.

Acho que a gente também vê muita criatividade e colaboração em momentos como esses, então acho que são lições que a gente não pode desprezar quando passarmos desta. 

2. De que forma laboratórios maker podem auxiliar na atual crise pandêmica do COVID-19?

Acredito que laboratórios são em essência espaços e ambientes de experimentação. É justamente com os laboratórios de inovação que a gente consegue mostrar que os sonhos são factíveis, e que a gente pode validar ideias e projetos que parecem inacessíveis ou complexos. 

Em relação ao COVID19, os laboratórios, e os makers estão na vanguarda em mostrar soluções muito mais rápidas, mais baratas, colaborativas, e com mais validação. A gente deixa de trabalhar em cima do “eu acho” ou o “não vai dar certo” e a gente passa para ciclos muito rápidos de teste e de saída para a rua. Todos entendemos a seriedade e os impactos na saúde e na economia, a gente não tem tempo para esperar soluções mágicas ou complexas. 

3. Quais ações e/ou projetos mais interessantes você conhece/viu até o momento que auxiliam no combate ao COVID-19?

Uma das coisas mais legais que eu vi na vida, foi essa capacidade de mobilizar sonhadores e fazedores internacionalmente, e colocá-los em contato com atores do Estado e da indústria para testar ideias e soluções.

Tem grupos de gente do mundo todo que estão compartilhando seus designs, contribuindo para melhorar, para adaptar soluções. Neste sentido também é perceptível um esforço enorme em priorizar e mapear a capacidade de avançar em certas tecnologias por necessidade e urgência. 

Vi várias soluções incríveis como esterilização com luz UV, a fabricação de EPIs de forma distribuída em cadeia.

É algo fantástico, principalmente as viseiras que as pessoas estão diariamente trabalhando para tornar o processo de produção mais rápido, menos custoso e o produto final melhor para quem vai precisar dele.

Também vi muita mobilização para dar suporte para questões emocionais sobre o isolamento social, que são muito importantes. Outra coisa que vamos precisar são os projetos que prezam pela empatia, da gente construir redes de apoio para as populações mais vulneráveis, idosos, pessoas em situação de miséria ou de rua.

Essas pessoas são novamente invisíveis, mas deixá-los em risco ou sem assistência só acentua o risco para todos os outros.

4. Quais frutos positivos de inovar em cenários caóticos ou com limitações extremas, como por exemplo, não poder trabalhar em equipe presencialmente?

Eu acho que essa foi a primeira grande onda de um ciclo de pandemias e de impactos climáticos que devemos sentir nesta nossa geração. A ciência vem alertando para os riscos das próximas crises, dos refugiados climáticos e das doenças ainda não mapeadas ou decorrentes da ação humana, como a atual.

Por um lado eu enxergo que teremos capacidade de avaliar os nossos rumos de forma mais clara. O meio ambiente nunca mandou um recado tão direto para a humanidade, e a desigualdade e os modelos econômicos nunca estiveram tão transparentes. 

O futuro depende disso, e eu acredito que também é um momento que a criatividade e a ciência mostram o seu valor, escancaram que o obscurantismo não pode ser colocado no mesmo patamar de quem está trabalhando com inovação ou baseado em evidências.

Nunca foi tão chato estar certo, mas é o que a gente tem visto né? Sobre o home office e o formato de trabalho eu gosto muito da obra de Bertrand Russell, porque a gente se acostumou com um formato de trabalho que submete a pessoa a estar disponível como um recurso, fisicamente, numa relação hierárquica, por uma determinada quantidade de horas. Isso é algo que não dá certo em inovação. Russell, e diversos outros filósofos e autores, falam muito do ócio criativo, que é a capacidade da gente produzir dentro do modelo mais confortável e acolhedor para cada um.

A Suécia já provou isso, que as pessoas entregam muito mais, e melhor, quando estão dentro de modelos de trabalho, tanto de carga horária reduzida, quanto de home office, que possibilitem uma tranquilidade e uma capacidade de sonhar, e de pensar em soluções.

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